Aldeias

PR1-TCS | Guardiões do Planalto
Históricos

Trancoso

21.00 km

Trancoso

7:00

Com 21km de extensão e uma variante que permite encurtar a distância para cerca de 15,5km (4h30), este percurso desenvolve-se no limite oriental dos Planaltos Centrais, permitindo a observação das principais características desta região e a contemplação de uma vista única e deslumbrante para a imensidão das terras de Riba-Côa. Enquadrado por uma encantadora paisagem natural e humanizada, o trajecto realça as ligações entre a Aldeia Histórica de Trancoso e a histórica aldeia de Moreira de Rei e, percorrendo-o, é possível compreender o extraordinário posicionamento estratégico dos castelos milenares que estão na origem destas duas povoações e que, quais guardiões do planalto, defenderam por séculos este território.

Fauna e flora

Coberta por pequenas matas de pinheiros e carvalhos e por densa vegetação arbustiva, a paisagem caracteriza-se essencialmente pela sua rudeza e pela constante presença de blocos graníticos, aglutinados de forma mais ou menos caótica e, por vezes, curiosa. Pouco expressivas, as zonas de aplanamento mostram amiúde um relevo ondulado e são entrecortadas por estreitos vales, onde se instalaram aldeias e quintas que, aproveitando as terras férteis irrigadas pelas ribeiras, criaram em seu torno uma paisagem colorida e intensamente humanizada. A espaços, elevam-se pequenas serras, como a majestosa serra do Pisco, observável no traçado inicial do percurso, e a serra do Barroco do Oiro.

Atingindo a cumeada desta última, onde se situa o ponto mais alto da rota (Cabecinha), a vista espraia-se para um extenso horizonte desde a serra da Estrela, a sul, até ao vale do Douro, a norte. A partir de então, a visibilidade torna-se abrangente para nascente, onde se desenvolve a vasta peneplanície da Meseta Ibérica, apenas quebrada pela altiva serra da Marofa.

Com início e fim no monumental conjunto histórico e artístico de Trancoso, o percurso passa pela povoação de Moreira de Rei, cujo longínquo passado pode ser revisitado, sobretudo, através dos seus magníficos Monumentos Nacionais: o peculiar castelo dos sécs. XII-XIII, a sublime igreja românica de Santa Marinha (séc. XIII), uma das maiores necrópoles medievais de sepulturas escavadas na rocha de Portugal e o elegante pelourinho manuelino (séc. XVI).

A par de algumas fontes, pombais e eiras, nas aldeias e quintas vislumbram-se excelentes exemplos da arquitectura rural e tradicional beirã, alguns com primeiro andar e balcão e outros que aproveitam imponentes blocos graníticos como paredes. Ao longo do percurso calcorreiam-se alguns troços de velhas calçadas e observam-se ainda antigos lagares escavados na rocha, testemunhos de uma já quase inexistente exploração vitivinícola dos campos, e vários núcleos de sepulturas rupestres, derradeira morada de Homens que habitaram estas terras em tempos medievais.